Queiroz
Dois amores Insanos
Do lábio incerto
Eu me vejo em precipício
Do lábio concreto
Eu me vejo amarrada
Em suspiros de amor
Que apenas imagino
Lábio incerto que é sonho,
Sonho que durmo em brisa fria.
Precipício de lábio obtuso,
Cruel, confuso, incerto.
Atada, amarrada, idealização de menina,
Que sonha o que é precipício.
Suspira de amor e chora pela dor,
Amor de lábio e dor de incerto.
Imagino brisa, imagino vento,
Imagino uma forma de deixar de ser sonho.
Do teu toque;
Momento que me devassa, me inclina para a insanidade,
Surge o arrepio.
Da tua voz;
Que me engolfa em desespero de sonhadora,
Surge o inesperado.
Um realiza o desejo
O outro se espalha pelo tempo
São dois amores assim
Incerto como o desejo,
Inquieto como o tempo.
Fernando Queiroz e Cristiane Abreu
A incansável..........
Se transforma e abala
A avenida e a multidão
Quando surge de repente
Alerta a humanidade
Com sua extrema razão
Tira do homem à certeza
Tira do homem o poder
Pois, sua força és inevitável
Quando vem arrasta tudo
Até a emoção
Rostos ficam a preocupação
De um novo dia
Sem escuridão
Ela, a incansável, se chama,
natureza em ação.
Fernando Queiroz
Xícara amarga!
Não somos um mar de rosas
Nem o paraíso do Éden.
Podemos despertar na própria morte a voz:
“Os seres humanos me assombram”!
Quem dera uma receita conhecida
Despertasse-nos o mais puro ser:
Jogue uma colher de paciência
Jogue uma colher de sabedoria
Jogue uma colher de humildade
Ou um muro de regras decoradas
Nos fizesse pratica-las:
Torne - se mais paciente
Com o próximo começando pelo mais próximo
Torne - se mais sábio
Com o próximo começando pelo mais próximo
Torne - se mais humano
Começando pelo mais próximo, você mesmo.
O fato é que podemos até ser
Nossa xícara amarga,
Mas sabemos como nos transformar
Em um chá de camomila!
Cabe-nos querer ou não.
Fernando Queiroz e Hináh Esttela
Resquícios
Na vida
ficou......
Na foto sua
lembrança
na vida seu
carinho
na alma seu
amor
Ficou a
vida
Ficou a luz
Ficou seus
laços
Do teu pó
Surgiram
vidas
as quais
ficaram
e tu só na lembrança
Ah, como
fere esse peito sangrento
da
lembrança, do riso, do carinho
surge a
revolta que o tempo causou
Como o
tempo golpeia a alma
desatina o
viver
Saio a
procura
e só me vem
nas lembranças
A imagem
some aos poucos
A angústia
sufoca-me
A vida se
desperdiçou
A voz se
espalhando
e aos
poucos se diluindo
dizendo:
Meu filho não serei eterna
Mas sempre
ao teu lado estarei
Pela
lembrança
Pela
fotografia
Pelo
vínculo
o embrião
Acordo de
um sonho
Ao
levantar-me
ir-me ao
quarto
Vejo que se
fora
eternamente
Fernando Queiroz
O tempo

O tempo é matador
Da vida simples,
Da honra,
Da alma.
O tempo é ingrato
Da paixão.
O tempo é devorador
Da infância,
Da juventude.
Porque é Ele o construtor
Das cinzas significantes
Que fazem do amor, o verdadeiro
E a experiência, a preciosa.
O tempo maltrata
Na saudade,
E afasta magníficas pessoas.
O senhor dos segundos,
Angústia a ansiedade
Da esperança
Mas transforma
A morte de uma vida
Em verdadeiros diamantes
Os restos de nossas vivências.
Fernando Queiroz e Hináh Esttela
A mulher e seus seis filhos
A vida era assim
Agita sem noites e sem
descanso
A mulher e seus seis filhos
A mulher trabalhadora
A mulher sonhadora
A mulher vencedora
Faxina durante o dia
À noite trabalhava para os
filhos
Os três primeiros iniciantes
Aprendendo a ler e escrever
Os três últimos mais velhos
Ensinando os mais novos
A vida era assim
Mãe solitária
Mãe guerreira
Mãe com um sonho
Em ver seus filhos
Lutando.
Fernando Queiroz
A despedida
A despedida é exatidão
A companhia é imprecisão
O amor é passageiro
O ódio é desejo
A vida simples assim
Feita de despedidas
Uns vão e outros vêm
O que vale é a emoção
Fernando Queiroz
O século XXI
O mundo das intrigas
O mundo das tecnologias
O mundo dos atrasos
O mundo pela luta de
sobrevivência
Vivemos assim
O pobre excluído
Da igualdade
Da fraternidade
Da liberdade
O rico incluído
Na igualdade
Na fraternidade
Na liberdade
Fernando Queiroz
A prostituta
Na amargura da noite
Ela surgia
Lábios
Cabelos
Vestes
Fascinantes
Destruía
Dias
Construídos
Com harmonia
Causados pela ousadia
Não achava indiferente e nem vazia
Apenas uma mulher
Que ama
Que sofre
Que desatina
A vida em
Severa agonia.
Fernando Queiroz